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GERSON NOGUEIRA

Clássico pode determinar o futuro da dupla Re-Pa na Série C

Neste sábado, Remo e Paysandu fazem o maior clássico da Amazônia; Remo está há 10 jogos sem vencer seu rival

sexta-feira, 02/10/2020, 13:40 - Atualizado em 02/10/2020, 13:40 - Autor: Gerson Nogueira


Jogo ocorre no próximo sábado (03) no Mangueirão
Jogo ocorre no próximo sábado (03) no Mangueirão | Arquivo

O Remo chega ao clássico com a preocupação de manter a linha vitoriosa iniciada com o triunfo sobre o Manaus, domingo passado. O resultado pôs fim a sete jogos sem vencer na temporada. Amanhã, diante do PSC, o time de Paulo Bonamigo tem outro desafio: quebrar a série de 10 jogos sem comemorar vitória sobre o maior rival.

Bonamigo não era o técnico do Remo no ano passado, mas deve ser informado sobre o ocorrido com Márcio Fernandes no primeiro clássico válido pela Série C. Certo de que era um jogo como outro qualquer, Márcio encarou o PSC sem os devidos cuidados e acabou derrotado por Hélio dos Anjos.

Ganhar o Re-Pa deu forças ao PSC para disparar rumo à classificação para o mata-mata. Já o Remo não acertou mais o passo e acabou eliminado na última rodada. O jogo funcionou como um divisor de águas, expressão que Márcio Fernandes repeliu durante a entrevista pós-jogo.

Antes do clássico, o Remo fazia uma campanha positiva, acumulando pontos e se mantendo sempre no G4. Após o revés, o time entrou em viés de baixa e nunca mais foi o mesmo, situação agravada pela perda dos meias Douglas Packer e Carlos Alberto.

Pelas palavras de Bonamigo e Matheus Costa, novo técnico do PSC e estreante em Re-Pa, é possível projetar um jogo aberto e ofensivo, embora com as cautelas normais que o clássico exige.

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Para manter o embalo

O Papão defende no clássico Re-Pa de amanhã uma das melhores sequências do time em Campeonatos Brasileiros. Em três jogos (Imperatriz, Ferroviário e Botafogo-PB), venceu 2 e empatou um, conquistando sete em nove pontos disputados, sendo que quatro foram ganhos fora de casa. Marcou nove gols e sofreu dois.

O mais impressionante é que esse momento, indiscutivelmente o melhor do PSC na Série C deste ano, aconteceu durante o processo da troca de técnico e da crise desencadeada pela saída de Hélio dos Anjos.

A impressão é de que, quando Hélio pediu demissão, o time estava finalmente encontro o equilíbrio tão buscado, depois de oscilar nas primeiras rodadas, situação que o deixou próximo à zona de rebaixamento por várias rodadas.

Da maneira como o time se comportou em Fortaleza contra o Ferroviário, sob o comando do auxiliar técnico Leandro Niehues, ficou a sensação de uma equipe que aprendeu a conhecer seus limites, evitando exageros desnecessários. Tocou a bola no nível ideal e aproveitou as chances surgidas.

Foi um desdobramento natural da exibição que culminou com goleada sobre o Imperatriz na sexta rodada. Hélio, construtor da equipe, não ficou para usufruir dos acertos que o time passou a ter. Depois de solucionada a crise de confiança da zaga, o meio-campo se ajustou e o ataque funcionou até quando não teve a presença de Nicolas, seu principal goleador.

Em meio a isso tudo, três jogadores despontaram em meio à sequência de acertos. Uilliam Barros (foto), Alex Maranhão e Elielton.

Com gols decisivos na decisão do Parazão e na Série C, Uilliam assumiu a condição de titular do setor defensivo. Elielton, pelos dois gols contra o Imperatriz, voltou a ser visto como alternativa. E Alex finalmente mostrou qualidades para ocupar a faixa central do meio-campo, onde não havia se firmado desde que chegou à Curuzu.

São desdobramentos quase que automáticos de momentos de evolução de um time. Quando o coletivo passa a funcionar com qualidade, o talento individual se estabelece. O trio citado é a prova maior desse conceito.

A atuação no clássico vai permitir dizer se o Papão está consolidando uma maneira de jogar e pode novamente ser visto como um legítimo aspirante ao acesso.

Em queda, Botafogo altera planos e descarta Autuori

O técnico é o primeiro a rodar quando as coisas não vão bem. Paulo Autuori (foto), nome de grande prestígio no clube pela conquista de 1995, não resistiu aos maus resultados e pediu para ir embora. Era previsível.

O Botafogo enfileira empates e tropeços no Brasileiro, está no penúltimo lugar na classificação e não consegue um mínimo de regularidade para ser visto com respeito dentro da competição.

De início, Autuori passou a impressão de que estava formatando uma equipe capaz de alternar rapidez na defesa e movimentação ofensiva moderna, com apenas dois volantes a resguardar a linha de marcação.

Funcionou algumas vezes, mas, quando isso aconteceu, o VAR não permitiu êxito no placar. Em outras ocasiões, o time se permitiu atuações capengas contra adversários até inferiores tecnicamente.

Como o tempo urge e a competição avança, a saída de Autuori pode abrir caminho para uma reformulação tática e para o aproveitamento de outros jogadores. Nada, porém, que consiga fazer sumir o maior problema do clube: a falta de recursos para atrair reforços.

A escolha de Túlio Lustosa para a gerência de futebol é uma providência interessante, mas a efetivação de Bruno Lazaroni como técnico é a chamada aposta de risco, própria de quem não tem grana para buscar nomes de qualidade no mercado.

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